Debate que sobrevoa a região

Reforma no Aeroporto Internacional Salgado Filho dá trégua no barulho à noite, mas as maiores mudanças ficam para 2010

Letícia Duarte – Zero Hora

O início das obras no Aeroporto Internacional Salgado Filho, neste mês, anuncia um cenário de transformação que deve afetar toda a região nos próximos anos. As maiores mudanças só devem ocorrer a partir do ano que vem, quando é previsto o início da ampliação da pista na área hoje ocupada pela Vila Dique, mas a discussão sobre os impactos que o projeto trará para quem vive nos entornos já mobiliza a comunidade e os técnicos.

No momento, os moradores comemoram porque, com as obras de alargamento e recapeamento da pista, iniciadas em setembro, nenhum avião decolará ou pousará na Capital entre meia-noite e 6h15min, o que garante um sono mais tranquilo aos cerca de 250 mil atingidos pela chamada zona 2 de ruído do aeroporto. A tranquilidade deve durar até dezembro, quando é prevista a conclusão dessa etapa.

– Essa obra não precisava parar tão cedo. Já dá até para ver a novela. Antes, era difícil assistir TV e falar no telefone nesse horário – diz Daniel Kieling, presidente da Associação de Moradores e Amigos do Lindoia (Amal).

A preocupação é com o que deve ocorrer depois, quando começar a ampliação da pista, de 2.280 metros para 3,2 mil metros. O maior temor da comunidade é que o nível de ruído piore, que é esperado pelo aumento do número de aeronaves que devem transitar pelo Salgado Filho. Em uma audiência pública realizada no início do ano, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) se comprometeu a instalar equipamentos para medição de ruído 24 horas em pontos do Jardim Lindoia, conforme recomendação da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).

Os moradores querem mais. A Amal deve encaminhar ao Ministério Público Federal uma solicitação para tornar permanente o fechamento à noite.

– Se o aeroporto ficasse fechado seria o ideal, pois já enfrentamos ruído, e a situação deve piorar – diz Kieling.

A superintendente da Infraero, Lia Segaglio de Figueiredo, salienta que a obra atual não gera qualquer tipo de ruído adicional, porque apenas melhora a pista existente, aperfeiçoando as condições de segurança operacional. Mesmo com o aumento do fluxo nos próximos anos, ela acredita que o ruído não deve aumentar significativamente.

– As aeronaves hoje são menos ruidosas, então não quer dizer que aeronaves maiores gerem mais ruído. Porto Alegre será sede da Copa do Mundo, é importante que a cidade defina se quer estar disponível para receber os voos das delegações e dos turistas durante 24 horas ou não – argumenta.

A diretora-presidente da Fepam, Ana Pellini, garante que o ruído será monitorado pelo órgão – e a população será ouvida. A partir da análise para a concessão da licença prévia da obra, ela tranquiliza a comunidade:

– Os níveis de ruído propostos estão bem abaixo do permitido, mas vamos analisar todas as etapas. Deve haver negociação com a população se o barulho for muito alto à noite – analisa.

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