Gigante da aviação tem destino incerto

Os aviões "Ruslan" já não são produzidos há 10 anos, mas durante todo esse tempo havia a esperança da retomada da produção conjunta. Até agora o destino da aeronave não foi definido.


Tatiana Russakova | Gazeta Russa

O legendário avião pesado An-124-100 "Ruslan", capaz de transportar cargas de grandes dimensões, poderá ser uma das vítimas do fim da cooperação técnico-militar entre a Rússia e a Ucrânia. Os aviões "Ruslan" já não são produzidos há 10 anos, mas durante todo esse tempo havia a esperança da retomada da produção conjunta. Até agora o destino da aeronave não foi definido.


Antonov An-124-100

O IL-476 venceu

De acordo com o diretor da fábrica de aviões Aviastar-SP, em Ulianovsk, Serguêi Dementiev, o Ministério da Indústria e Comércio da Federação da Rússia determinou que fosse produzida uma alternativa ao An-124, caso cesse a cooperação com empresas ucranianas. Mas Dementiev reconheceu que para a produção (praticamente da "estaca zero") desse tipo de aeronave é preciso muito investimento e muitos clientes, pois o destino do An-124-100 ainda não está definido.

O An-124 foi projetado na Ucrânia pela empresa construtora Antonov na década de 80, quando o país fazia parte da União Soviética. O avião é considerado o topo da indústria aeronáutica soviética. A produção em série desses aviões acabou em 2004 e dez anos mais tarde os aviões “Ruslan” começaram a sair de uso. Em 2030, poderão sobrar apenas 15 aviões desse tipo.

O tema de retomada da produção das aeronaves gigantes surgiu este ano. No começo, previa-se que o cliente principal seria o Ministério da Defesa russo, pois os aviões "Ruslan" foram principalmente desenvolvidos como um meio de transporte de tropas com equipamentos de combate e armas para os locais de combate. Mas no final de 2012 os militares russos escolheram o Il-476 russo, e o An-124 não foi incluído na lista de aeronaves de transporte militar da Força Aérea Russa. O Ministro da Defesa, Serguêi Shoigu, decidiu apenas reparar e modernizar os aviões "Ruslan" que já estavam à disposição da Força Aérea.

Um dos representantes do Ministério da Defesa disse à Gazeta Russa que a recusa de comprar o "Ruslan" explica-se por considerações de ordem financeira.

Segundo a fonte, a carga útil do IL-476 é menor, mas o próprio avião também é muito mais barato. "Quem precisa desse tipo do avião são as empresas civis comerciais envolvidas no transporte de cargas volumosas."


Ilyushin Il-476

No final de 2013, a Rússia finalmente assinou um acordo com a Ucrânia para retomar a produção do "Ruslan". O ministro da Indústria, Denis Manturov, afirmou que a produção começaria em 2018. O financiamento do projeto está no programa estatal do desenvolvimento da indústria aérea até 2025. Previu-se, além de fundos públicos, usar também recursos adicionais atraídos da corporação United Aircraft Corporation e da empresa ucraniana KB Antonov.

No entanto, com o início da crise russo-ucraniana, a cooperação técnico-militar entre os dois países derrubou praticamente todos os projetos conjuntos.

Recordes

Até hoje o "Ruslan" continua a bater recordes. Durante o treinamento militar realizado no Distrito Militar Central no dia 23 de junho de 2014, ele transportou duas fileiras de helicópteros (8 máquinas no total) de ataque Mi-24 da base aérea da Aviação do Exército Tolmachevo, da região de Novosibirsk, para o aeródromo Koltsovo, na região de Sverdlovsk.

Quatro helicópteros militares na baía de carga do "Ruslan" não são o tipo da carga mais exótica para esse gigante aéreo. O An-124-100 transportou 52 toneladas de ouro dos Emirados Árabes Unidos para a Suíça, 300 toneladas de equipamento musical de Michael Jackson em 1993 e até uma locomotiva através do Atlântico: do Canadá à Irlanda. Nenhum outro tipo de avião poderia fazê-lo.

O avião de transporte militar An-124-100 agora opera principalmente na esfera civil. A empresa aérea de Ulianovsk Volga-Dnepr tem o maior parque de "Ruslan" (10 aviões), usados para fins comerciais. Os aviões transportam cargas pesadas de grandes dimensões que não podem ser transportadas por aviões de carga menores em vários vôos, mesmo sendo desmontadas. Assim, os "Ruslan", a serviço da empresa Volga-Dnepr e da ucraniana Antonov, transportam cargas da Otan para o Afeganistão. O contrato tem validade até o final de 2014 e seu preço não foi revelado.



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