Aviação executiva em busca da recuperação

Estabilização do mercado já dá alento à indústria

Alexandre Calais – O Estado de São Paulo

O mercado de aviação executiva sofreu como poucos os efeitos da crise econômica. No auge da turbulência, os cancelamentos de encomendas vieram de todos os lados. No Brasil, esse índice ficou em 40%; nos EUA, em 85%; no Leste Europeu, em praticamente 100%, segundo Marco Antonio Bologna, presidente da TAM Aviação Executiva, representante no Brasil da fabricante americana Cessna.

Passado quase um ano da quebra do Lehman Brothers, marco inicial da crise, os problemas do setor ainda estão muito longe de acabar. Mas há, pelo menos, uma coisa a ser comemorada: o cenário parou de piorar.

"Temos hoje uma lista de 300 interessados na compra de aviões. Desses, pelo menos uns 60 estão na fase de avaliação mais minuciosa, com boas possibilidades de fechar negócio. Para mim, isso indica que 2010 pode ser já um ano melhor no Brasil", diz Bologna. A TAM Aviação Executiva prevê fechar o ano com entrega de 38 aviões, 14 a menos que no ano passado.

A fabricante brasileira Embraer, porém, que fornece para todo o mundo, acredita que o mercado global para os aviões executivos só deve se recuperar entre 2011 e 2012. "Esse é um setor cujo direcionamento é dado pelos lucros corporativos. E, como os lucros das empresas estão em queda, a consequência é direta", diz Claudio Camelier, diretor de Inteligência de Mercado da Aviação Executiva da Embraer. Segundo ele, as projeções são de que as empresas comecem a se recuperar no ano que vem, dando confiança para que retomem as encomendas em 2011, com mais aviões sendo entregues em 2012.

Segundo Camelier, o mercado dos aviões executivos vinha crescendo constantemente desde 2003. No ano passado, o número total de jatos entregues pelos fabricantes em todo o mundo foi de 1,2 mil. Este ano, porém, a previsão é que esse número fique abaixo de mil. "Essa, definitivamente, não é uma crise rápida." Mas ele confirma que o cenário, pelo menos, se estabilizou. A Embraer prevê entregar este ano 127 jatos - sendo 110 Phenom, seu menor modelo, com preços a partir de US$ 3,5 milhões, e 17 jatos Legacy 600 (US$ 27 milhões) e Lineage 1000 (US$ 42 milhões).

Os aviões executivos, porém, podem custar bem menos que isso. Segundo Bologna, tem feito sucesso no Brasil o avião Cessna Skycatcher, monomotor a pistão para duas pessoas. "É um avião experimental, muito útil para ensino de pilotagem, por exemplo", diz. Desde o fim do ano passado, já foram vendidos 50 aviões desses no País. O preço do produto, sem o custo do frete, é de US$ 112 mil.

O mercado da aviação executiva no Brasil passará por um teste esta semana, com a feira Latin America Business Aviation Conference & Exhibition (Labace), que começa na quinta-feira, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. "Apesar de toda a crise global, será a maior feira de todos os tempos", diz Bologna. "É um evento muito especial para o setor, já que, nessa área, boa parte das vendas vem essencialmente de relacionamento."

Mas, segundo ele, o grande termômetro do mercado será mesmo a feira que será realizada nos EUA, em outubro. "O maior mercado do mundo está lá, e é aí que conseguiremos sentir realmente como está o mercado."

Segundo Camelier, cerca de 70% da frota de aviões executivos em uso hoje no mundo está nos EUA. "Isso deve mudar nos próximos anos, já que outras regiões, como a Ásia, vêm crescendo", diz.

"Mas os americanos ainda são a referência."

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