Analistas e investidores do mercado ressaltam que a demanda mundial por aviões com capacidade de 50 lugares reduziu consideravelmente, e creem que a Embraer conseguirá obter lucro adicional por conta dos clientes russos se passar a ter aviões produzidos naquele país.
O Vnesheconombank (VEB, na sigla em russo) vem flertando com o seu análogo no Brasil, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sobre a produção de aviões brasileiros com capacidade de até 50 lugares na Rússia, revelou Vladímir Dmítriev, executivo da corporação estatal, durante a cúpula dos Bric.
Primeiro projeto oficial O projeto pode ser um dos primeiros a ser implementados no âmbito dos acordos assinados no Brasil sobre cooperação de instituições financeiras de desenvolvimento oficiais e apoio às exportações dos países dos Bric.
"Ainda não estamos falando de volumes nem de valores", ressaltou Dmítriev.
"São projetos de cooperação para a criação de um avião civil, que dizem respeito a centenas de milhões de dólares".
O executivo explicou ainda que as negociações com a Embraer ainda não entraram em vigor, mas da parte russa o governo da Tatária mostrou interesse e está disposto a oferecer ao projeto as capacidades industriais da Kapo.
A Corporação Aeronáutica Unida, proprietária da Kapo, confimou ter recebido ofertas da parte brasileira sobre o projeto e as propostas estão sendo analisadas. Na OAK, ninguém quis comentar os detalhes, mas uma fonte da corporação esclareceu que as conversações vêm sendo realizadas desde o início do ano e dizem respeito à fabricação do Embraer 145.
Nesse nicho, na OAK, existe o modelo An-140, produzido na fábrica Aviakor, em Samara, da Russkie Machiny (Máquinas Russas). A empresa é de propriedade do oligarca russo Oleg Deripaska, e em breve poderá fazer parte da OAK.
Segundo o diretor do Serviço de Análise da agência Aviaport, Oleg Panteléev, o turboélice Àn-140 dificilmente será concorrente do Embraer 145. "É difícil bater as vantagens de velocidade do avião a jato, ao passo que a efi ciência do combustível do turboélice é maior", ressaltou.
A Embraer não quis confirmar as conversações com a OAK. "Encaramos o mercado russo como potencial para essa categoria de aviões", limitou-se a dizer Mário Kern, vice-presidente da Embraer para Aviação Comercial. "Se as companhias tiverem interesse, a Embraer poderá estudar a possibilidade de realização de um contrato desse tipo", completou.
O escritório da empresa informou que no Brasil não se produzem mais os Embraer 145, mas a fabricação sob licença está aberta na China.
Analistas ressaltam que aviões do nicho do Embraer 145 têm demanda no mercado russo, e operadoras russas já começaram a comprar aeronaves dessa classe. A UTair utiliza desde março o CRJ 200, da canadense Bombardier. Segundo o principal executivo da UTair, Andrei Martirósov, a companhia examinou a possibilidade de comprar o Embraer 145, mas a escolha recaiu sobre o CRJ devido às particularidades do layout do compartimento de passageiros e das condições vantajosas de financiamento da transação.
"Aviões semelhantes ficam cada vez mais no mercado secundário, o que significa que as companhias aéreas estão migrando para aeronaves de maior capacidade", observa Martirósov.
Para o principal executivo da Infomost, Boris Rybak, o Embraer 145 é um avião de qualidade e não existem análogos a ele na Rússia. "Se a localização da fábrica o tornar mais barato, os clientes vão comprá-lo", acredita.
Segundo Panteléev, para o grupo aeronáutico brasileiro, o lançamento da produção do Embraer 145 na Rússia será vantajoso, já que os volumes de vendas diretas dessa aeronave estão diminuindo, e a nova fabricação sob licença ainda vai demorar a dar lucro.
Ao mesmo tempo, aposta o analista, as companhias aéreas russas estarão dispostas a adquirir aviões desse tipo apenas se houver subsídio do governo.
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