Santos Dumont: vôos terão que mudar de rota

Secretaria estadual do Ambiente só renovará licença de aeroporto se aviões não passarem por áreas residenciais

Gustavo Goulart

Moradores de pelo menos sete bairros estão prestes a se ver livres de uma dor de cabeça que há anos os atormenta e que vem do céu. A secretária estadual do Ambiente, Marilene Ramos, afirmou ontem que a renovação da licença da Infraero para o funcionamento do Aeroporto Santos Dumont, após a reforma, só será concedida caso a Agência Nacional de Aviação (Anac) cancele a Rota Dois de aproximação para o pouso. A rota passa sobre regiões residenciais, numa altitude que amedronta os moradores.

Além disso, o barulho dos jatos, que cruzam o céu até de madrugada, ultrapassa os limites de decibéis permitidos.

— Há cerca de dois meses, nós pedimos à Anac que estudasse a alteração da Rota Dois. A resposta foi evasiva.

Disseram que a rota já era usada antes da reforma. A obra aumentou o fluxo de pousos e decolagens nitidamente.

A licença só será dada se a rota for alterada — garantiu Marilene.

Pousos e decolagens apenas entre 6h e 22h Marilene e o presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Luiz Firmino Martins Pereira, se reuniram ontem com presidentes de associações de moradores e representantes dos bairros de Cosme Velho, Laranjeiras, Santa Teresa, Flamengo, Catete, Botafogo e Urca. Eles reclamaram do barulho dos aviões, do risco de acidentes graves e do aumento do fluxo após a reforma. Outras duas restrições ficaram decididas: pousos e decolagens só serão permitidos das 6h às 22h e o fluxo será limitado a 5 milhões de usuários por ano. A Infraero havia requisitado a liberação de 8 milhões de usuários.

— É uma questão econômica.

Não usam outra rota, que passa sobre a Baía, para não gastar mais combustível. E infernizam a nossa vida. Você fica surdo de dois em dois minutos, é forçado a interromper ligações telefônicas e não consegue ouvir a televisão — reclama o presidente da Associação de Moradores de Santa Teresa, Paulo Saad.

A Infraero diz que ainda não recebeu qualquer comunicado oficial do Inea. A Anac informou que a alteração da rota ainda está em estudo e que quem determina a mudança é o Departamento de Controle do Espaço Aéreo, da Aeronáutica. Na sextafeira, Marilene e Firmino se reunirão com procuradores e promotores dos ministérios públicos Federal e Estadual para colherem opiniões a respeito. E na segunda-feira, o Conselho Diretor do Inea se reunirá para decidir sobre a liberação da licença.

Segundo o presidente do Inea, o aeroporto opera sem licença desde 2007: — Eles não solicitaram a licença ainda porque não pagaram a compensação ambiental, de 0,5% do valor da obra de reforma. Nesse caso, como a obra custou R$ 300 milhões, a compensação é de R$ 1,5 milhão.

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