Congonhas vai restaurar piso, cúpula e pilares do saguão

Obras, ainda sem data para começar, vão focar arquitetura do aeroporto, que é dos anos 50

Bruno Tavares e Vitor Hugo Brandalise – O Estado de São Paulo

Uma equipe de engenheiros e arquitetos começa no próximo mês a planejar uma ampla reforma no Aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo. Ao contrário da última grande intervenção, que entre 2004 e 2007 remodelou por completo o terminal de passageiros e ampliou as vagas de estacionamento para veículos, desta vez o foco será o patrimônio arquitetônico de Congonhas. As obras devem se concentrar no restauro do saguão principal, espécie de "sala de estar" do aeroporto inaugurado na década de 1930.

"Nossa ideia é promover uma harmonização entre cafés, restaurantes e as demais áreas de serviço do aeroporto com sua arquitetura original. Com a configuração atual, ela está ofuscada", disse João Márcio Jordão, diretor de Operações da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), estatal federal que administra 67 principais aeroportos do País.

O diretor tranquiliza quem considera lojas, cafés e restaurantes fundamentais no aeroporto.

"Temos o objetivo de resgatar o glamour de Congonhas e, ao mesmo tempo, oferecer mais conforto aos passageiros. Os serviços existentes não só permanecerão como serão até mesmo aprimorados."

O projeto inicial prevê o restauro da cúpula, do piso de cerâmica xadrez e dos pilares revestidos de pastilhas espalhados pelo saguão principal. "Queremos, de alguma forma, valorizar esses elementos tão importantes para a história do aeroporto", destacou Jordão.

Após a análise dos técnicos, a estatal deve lançar edital para a contratação de uma empresa especializada nesse tipo de reforma. "Essa intervenção requer um contrato diferente do que estamos acostumados. Esse trabalho não deve ser executado por empreiteiras. Isso é coisa para restauradores."

As obras devem contemplar ainda a expansão dos balcões de check-in das companhias. Com a chegada de novas empresas e o crescimento natural do mercado, eles já são insuficientes para absorver a demanda. Os planos iniciais são de avançar em direção ao Salão de Autoridades, a área reservada de embarque e desembarque que fica de frente para a Avenida Washington Luís. Os trabalhos ainda não têm data para começar, mas a Infraero adianta que pretende concluí-los para a Copa do Mundo de 2014.

MODIFICAÇÕES

Embora inaugurado oficialmente em abril de 1936, a estrutura atual do Aeroporto de Congonhas é resultado de construções executadas ao longo dos anos 1950, seguindo projeto elaborado pelo arquiteto Hernani do Val Penteado.

Maior alvo de modificações, o Terminal de Passageiros, inaugurado em 1955, sofreu ao menos quatro grandes intervenções no projeto original, todas ligadas à ampliação da oferta de serviços aos usuários e de adequação da infraestrutura do terminal.

As principais intervenções ocorreram em 1959, quando foi inaugurada a ala internacional do aeroporto (que funcionou até 1985); em 1981, quando a Infraero se tornou responsável pelo aeroporto; e, em 1990, quando o então Departamento de Aviação Civil (DAC) autorizou o pouso de jatos no aeroporto, aumentando o número de operações. Foi, a partir do início dos anos 1990, aliás, que lojas e caixas bancários passaram a tomar o lugar dos bancos, cadeiras e mesas do saguão.

Ainda assim, segundo o Departamento do Patrimônio Histórico (DPH), elementos internos – como pisos e revestimentos - e as escadas curvas com corrimãos de metal ainda mantêm características originais, "embora encobertos em muitos pontos".

Para a historiadora Giselle Beiguelman, autora do livro No Ar: 60 Anos do Aeroporto de Congonhas, a Infraero deveria tentar, com a reforma, recuperar parte da aura de "espaço de convívio" do aeroporto, adquirida nas décadas de 1950 e 1960. "Há mais espaço para publicidade e estandes do que mesas, cadeiras e bancos que possibilitem circulação e acomodação dos passageiros", avalia. "Áreas comerciais são necessárias, mas uma boa ideia seria tentar dar aos passageiros um pouco mais do que lojas e lanchonetes. Deve-se proporcionar conforto."

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