Suspeita é reforçada pela localização das caixas-pretas
O Globo
O Airbus da Air France que caiu no Oceano Atlântico em 31 de maio do ano passado quando fazia o voo AF 447, entre Rio e Paris, tentou retornar ao Brasil, segundo reportagem publicada anteontem pelo jornal francês "Le Figaro". A informação teria sido dada por uma fonte governamental com acesso às investigações sobre as causas do acidente que matou 228 pessoas.
A suspeita, de acordo com o "Figaro", baseia-se no fato de que as caixas-pretas teriam sido localizadas a 20 milhas náuticas (cerca de 40 quilômetros) a sudoeste da última posição conhecida da aeronave. A descoberta dessa nova área de destroços poderia indicar que o piloto fez meia-volta, ou para escapar das más condições meteorológicas ou para retornar ao Brasil.
Ainda de acordo com o "Le Figaro", a informação foi recebida com reservas por pilotos da Air France. Para eles, o fato poderia significar que o avião se desintegrou no ar antes de cair no oceano.
A reportagem enfatiza ainda que a nova informação mostra que os investigadores do BEA (órgão francês responsável pela apuração das causas do acidente) estavam concentrando as buscas numa área errada, a norte da última posição conhecida do avião.
O novo perímetro de buscas foi definido a partir de estudos conjuntos da Marinha francesa e do grupo Thales, fabricante dos pitots (sensores que medem, entre outras coisas, a velocidade) do Airbus.
Os sons captados pelos potentes sonares do submarino nuclear francês Emeraude, em junho do ano passado, foram reanalisados com um novo programa de computador, o que permitiu delimitar a nova área de destroços, onde estariam as caixas-pretas.
Apesar da divulgação da localização das caixas-pretas, autoridades francesas têm sido cautelosas ao comentar o assunto. Segundo elas, as informações precisam ser validadas e, mesmo que estejam corretas, ainda não é possível dizer se o equipamento poderá ser recuperado, já que a profundidade na área pode chegar a 4.000 metros.
0 Comentários